segunda-feira, 11 de agosto de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Esconde-esconde.
Às vezes paro, choro sozinho, solto um sorriso dispersado de alegria...
As vezes grito em silêncio o seu nome, e fico a vagar nas
lembranças que me levam a você.
As vezes tento fugir mas estás no meu pensamento, na minha alegria,
no meu anseio na minha simpatia...
As vezes toco a solidão, a angustia e ai eu a encontro sorrindo colorindo
a minha vida com uma palavra que me afaga, e branda o meu sofrimento fazendo que eu o despoje em qualquer lugar.
As vezes fico esperando vê-la, fico ansiando
ouvi-la, não me compreendo,
... mas você me
faz bem...
As vezes sou ridículo, sou quadrado mas termino rodando em direção a você, com os meus problemas, com as minhas suplicas.
As vezes me pergunto, me auto ignoro e nesse conflito de idéias dissolvo o meu pensamento e nele percebo o quanto és especial.
Pois igual a você somente tudo aquilo que você representa.
Leu ali em cima? Não faz o seguinte lê com calma, tenta entender o que a pessoa que escreveu sentia. Sabe? Queria saber quem escreveu isso. Porque me identifiquei tanto aqui. Sou exatamente isso... Ah! Mulheres... Estou tão diferente que não estou me reconhecendo. Não sei o que acontece comigo... E me olho às vezes e me ironizo em pensamento em momentos tão súbitos e inesperados. Começo a me enxergar de outras formas, formas mais solidas mais reais mais coerentes, é tão difícil ser realista e pé no chão com os meus vinte e poucos anos...
Ultimamente tenho achado respostas pra coisas sobre mim que sempre me perguntei e nunca entendi. E tenho notado que apesar de pensar que existia uma individualidade em mim, sou mais parecido com as pessoas do que pensava. Antes quando eu era criança nunca me preocupava com namoro ou em relação a casamento. Achava que seria coisa natural, assim como terminar a escola ir pra faculdade, trabalhar e viver a aposentadoria numa cadeira de balanço, ha-ha eu sou tão ingênuo... Sempre acreditei que com os meus trinta e poucos anos, ou então quando tivesse maduro o suficiente, estaria casado e com um ou dois filhos, teria uma vida burguesa, talvez fosse um bom pai e um péssimo marido, talvez nenhum dos dois, e seria o estereótipo da normalidade. Mas minha opinião sobre isso agora virou um paradoxo... Sou o perfeito solteirão, não sei dar satisfação, costumam não acreditar na minha sinceridade, e não cobro quase nada da outra. Sou um péssimo namorado, definitivamente. Sou uma pessoa hedionda, tenho total certeza disso não por opinião sobre mim, mas por mera conclusão. Todas as que eu quis me largaram, nenhuma ficou comigo, algumas eu corri atrás, outras nem dei bola, falei coisas das quais profundamente me arrependo e outras as quais nunca senti, pra maioria delas exceto pra duas. Às vezes penso que já tenho formada a opinião sobre quem possivelmente daria certo e não deu por mera tragédia do destino, nos afastamos e tal. Ou talvez eu procure o amor e ele também me procure, mas ele nunca me encontre.
Talvez por isso eu entenda porque tenho ficado folheando livro e chorando sem sentir tanta graça no que leio, ou ficado triste apoiando o rosto contra a mão no quanto da varanda. Às vezes quero morrer, me arrependo profundamente de pensar nisso logo depois, mas fiquei assustado quando eu li meu diário e me vi como essas pessoas que parecem que nunca estão bem. Se você tem a ousadia de ler isso aqui e sentir pena, com todo o respeito quero te mandar para os quintos dos infernos. Porque no momento me sinto perfeitamente bem. Afinal quem pode ser culpado de sentir saudade? Saudade daquela pessoa pra quem você sempre ligava, que te surpreendia, que transformou os momentos nas lembranças de maior tesouro e porque não dizer o sentido da vida. Te ensinou a leveza de ficar em silencio e observar as coisas, de perder o medo de uma felicidade que era tão fantástica, que não deixava a gente esconder nada, que surgia de repente, que te confortava com todo o compromisso como ninguém foi capaz de fazer... Que te preocupou doente, que tomou chuva com você, que desobedeceu tudo que falavam, que riu de coisas que somente a gente ali era capaz de entender... Que teve coragem de mostra como tão lindo é o ser humano sem mascara. Essa mascara que usam tão desbotada e rasgada. Que beijava seu rosto deitada por cima de você enquanto a luz do sol invadia a janela do terceiro andar. Enquanto queria ver o por do sol. Ah! Saudade... Acho que por isso que a gente sempre acha que o primeiro amor e o maior de todos e que iria ser eterno, talvez eterno seja mesmo... Ainda sinto saudade e faria tudo de novo, alias como queria fazer... Mas os primeiros amores se vão... Os segundos e os terceiros também, o amor fica sem sentido... E a gente ate esquece qual era o significado. E associa amor ao o que as pessoas dizem por ai para parecerem simpáticas...
Ah amor! Visite-me... Saudade imensurável de você... Porque tenho ate duvidas se você realmente ainda existe. Era tão fantástico ser novo e ir descobrindo a vida... Tenho medo de ficar velho sabe? Serei um tremendo nostálgico deprimente. AUHAUHAUAHUAHHU já consigo ser tento vinte e poucos anos...
terça-feira, 8 de julho de 2008
Todo amor que é possivel ter...
Bem são duas e meia da manhã, e acabei de ler tudo o que eu queria sobre lançamentos de filmes. Parece meio se assunto um começo assim: falar o que estava fazendo, mas é que quero demonstrar o quanto estou exausto. Acordei cedo, estudei matemática a tarde toda, tive meia dúzia de coisas pra fazer e só consegui chegar em casa as dez. E vou ter provavelmente a semana mais corrida do mês.
Acontece que quero dedicar à postagem de hoje pra uma pessoa: Thaís Bou Karim. Porque estou com saudades dela? Porque sempre tenho saudades dela? Só porque a acho uma pessoa incrível? Não? Somente porque eu gosto profundamente dela. Porque foi a primeira pessoa que eu gostei, sem conhecer, apenas por afinidade. Tão profundamente que sou totalmente sincero com ela, uma sinceridade que não costumava ter. E que não gosto de ter. Prefiro fazer pose, manipular pessoas do que ser sincero. Desde que a conheci eu já vinha ficando bonzinho demais. E praticamente eu não sou mais eu, mas a culpa não e dela não. Essa degradação já vinha acontecendo muito antes dela. Na verdade isso vem desde que terminei de estudar e não quis entrar numa faculdade particular qualquer. Mas eu quero frear isso e voltar a ser como antes. Quem me conhecia sabe que eu sou orgulhoso, impaciente, metido, antipático, apático, totalmente arrogante e sistemático, mas eu conquistava as pessoas pelo respeito e não pelo carisma. E ando notando que o respeito pra mim vale muito mais que esse carisma nojento e falso... Esse carisma me desgasta e a falta do respeito me faz muita falta. De forma alguma me refiro a ela sobre o mal sobre mim mesmo, mas vou falar dela senão vão entender tudo errado.
Agora sim: Thais Bou Karim. E simples Thais é talvez a menina que eu mais gostei e com quem menos passei tempo. E de como odeio ela por não conseguir me imaginar mandando ela pros quintos dos infernos! Sim é surreal isso pra mim isso, gosto tanto dela que jamais quero fazer a ela algum mal. Porque ela é uma das poucas cinco pessoas que eu sei que quero todo o bem do mundo. E como quero que ela seja feliz! Porque simplesmente ela é foda em todos os gostos, sentidos e talentos. Não! Eu não quero que você a conheça. Não estou fazendo propaganda dela, estou me gabando porque conheço uma pessoa assim. Porque hoje em dia ainda consegui ser amigo dela, embora eu tenha achado que ela não ia querer mais falar comigo varias vezes. Bom na verdade amigo é um exagero, ela me odeia. E certa época se recusou a falar comigo assim não declaradamente, mas de outras formas. Foi pra mim inegavelmente a época mais triste do ano passado. E quando eu estava quase desistindo, ela veio e voltou a falar... E me deixou profundamente feliz, imensamente feliz, porque gosto muito dela. Mas é assim ela é de longe é tal a gente não convive. Eu posso simplesmente perder contato com ela. E talvez nunca mais seja lembrado, mas eu sei que vou me lembrar dela. E por isso acho que não me importo, mesmo que ela se esqueça de quem sou. Vou lembrar-me de como é possível gostar incrivelmente de uma pessoa, e ser eternamente grato por ela te dar essa alegria apenas compartilhando a sua se é que pode chamar: presença. De como eu queria ter visto ela sorrindo varias vezes... Sabe se eu fosse possível eu trocaria varias coisas de valor por vê-la sorrindo, tipo shows ou sorriso da Thais? Sorrisos dela é claro. Seria melhor ter perdido bons filmes, bons livros por passeios ao parque com ela, perdido cruzeiros, raves, sei lá fazer qualquer coisa.
Sendo esse sentimento por ela tão forte que seria muito mais legal recordar da gente conversando debaixo de uma arvore. Do que falar que fui ao Playcenter, que fui num show, que o fiz algo diferente. Mesmo que eu odeie repetir dias iguais e sem sal. Com ela seria melhor que um Cirque du Soleil. Coloco essas coisas urbanas e industriais porque hoje em dia valor pras pessoas é isso. Relativo a tempo, dinheiro e não notam que essas coisas são totalmente sem sentido e nunca satisfazem a gente. Quanto à companhia a naturalidade de uma pessoa que a gente ama. Acho que toda pessoa merecia conhecer uma Thaís Bou Karim em sua vida. Pra que assim entenda que as pessoas são mais importantes que qualquer coisa.
Ah! Thaís como eu te odeio sua insuportavelmente maravilhosa pessoa da qual eu sinto tanta e tanta saudade.
Eu te amo tanto quanto é possível de amar poucas pessoas para que todo o nosso amor não seja só delas.
sábado, 5 de julho de 2008
É preciso renovar
Eu quero esvaziar a garrafa primeiro que acabe minha vontade de beber. E realizar essa vontade de pega-la pelo braço. Colocar aquele cd que parece que conta o presente e o passado sempre que toca, e deixá-lo tocar ate meus ouvidos se enjoarem dele, ate eu decorar tudo. Enquanto a gente quebra os moveis sem querer, enquanto a gente pira sem sentido, enquanto a gente chama os outros aumentando o grau da alegria só pra infernizar. Queria o dia só pra isso...
Chegar de surpresa em sua casa, te levar de subido, porque não agüento mais ver sua lembrança vindo me fazer companhia o tempo todo. Eu quero tomar minha lagrimas transformadas em álcool e chorar o dia inteiro... Eu ando perdido num deserto de sal onde todas parecem manequins, mas você é a única que tem graça no sorrir. Você é que enche meu coração, enche meus olhos e meus sonhos, e me faz lamentar cada momento que não esta aqui. E faz lembrar que só toque e tão bom quanto um sol de manha num dia gelado.
Eu quero me renovar pelo vento da estrada, banhado pela luz artificial dos postes em boates e bares que eu nunca antes tinha visto. Porque eu quero andar por onde não conheço ninguém, correr o risco de ser espancado, perder a conta de quanto eu bebi e ficar pra trás enquanto todos voltam pra casa... Porque quero aproveitar enquanto ainda posso fazer isso, porque quando eu ficar velho não terei pique pra isso. Porque no passado a gente se esquece, mas no presente o que a gente faz e esse falso amor que a gente sente vale por tudo!
Porque nessa sociedade nossa isso é liberdade!quarta-feira, 25 de junho de 2008
Queixas...
Me faça um favor? Não continue lendo isso aqui... Eu disse pra não continuar! Ok. Você não está lendo... Você está lendo? Você é idiota? Eu disse que é pra não ler! Está bem então você pode ler... Se for só pra contradizer você pode ler...
Eu achei que eu era melhor do que sou. Esse texto é a prova real de que eu não sou normal. Reuni tudo que tenho sentido nos últimos meses e vou colocar aqui. A principio de tudo tenho mais nostalgia do que água no corpo. As crises existenciais não tem vez pra rondar a minha alma, mas no lugar de uma simples crise existencial que poderia ser fulminada com a razão fica uma angustia, um pesar o qual eu nunca senti antes. Eu não levo fé em nada que eu faço, eu não tenho vontade de fazer quase nada. Minha vontade implora por uma tragédia ao mesmo tempo que meu medo e minha incerteza a nega, o que me livra de ficar declinado a fazer qualquer bobagem. E as pressões e a contradição do cenário o qual eu não quero entrar em detalhes me forçam a desanimar de tudo e não querer continuar com nada, mas mesmo assim eu vou contra a minha vontade de parar, contra a minha intuição e contra o meu animo, e que parece que tudo conspirar contra e acredito que nunca tive tanta coragem quanto estou tendo agora. Pois se colocar na zona de conforto e fazer o que quiser é simples, mas colocar a cara a tapa contra todo mundo é uma coisa muito diferente. Embora isso não faça diferença na vida de ninguém apenas na minha eu ouso dizer que chego a quase entender porque da simbologia do herói e estou fascinado pela imagem que tal tem. Quando eu não minto pra mim eu sei e entendo perfeitamente o que faço o porque e o que quero. E confesso nunca desacreditei de mim tanto quanto desacredito agora. Minha auto estima nunca esteve tão surreal e ela e extremamente vital para o meu bem estar, mas parece que ela vem sendo trucidada, acabada, ele esta sangrando pelo chão encharcando tapetes raros e eu estou junto com ela e ainda sobra a conta pra pagar. Eu acredito que entendo porque o homem imaturo pensa em morrer por um ideal ao invés de viver nobremente por um. Porque é a insegurança e muito mais fácil as pessoas lamentarem dizendo: Oh ele podia ter sido muito bom, do que tentar e correr o risco de bruscamente fracassar. Eu sinto como se tudo o que ate agora foi dito sobre mim pertence a outra pessoa...
Mas o pior disso tudo que a dois anos perdi contato com os amigos os quais eram praticamente o eixo de opiniões e de conselhos para minha vida, de todos só restou um e de dois anos só uma única pessoa eu conheci a qual gostei de realmente de conhecer.
Eu odeio ser assim e estou rezando pra isso acabar logo!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Tio Paulo meu herói.
Música para os meus ouvidos. Obrigado pelos elogios! Eu sei que meu inicio é de uma originalidade jamais vista na terra, e mais irônico de tudo não é essa minha frase tosca de abertura, é sim que eu não gosto dessa frase. Música para os meus ouvidos! Existe algo mais podre?
Acho genial quando alguém consegue passar uma boa idéia com simplicidade. Agora ser simplista demais é patético, qualquer um pensaria...
A nostalgia que a musica traz e algo muito curioso, que dizer pelo menos eu acho. Já faz um tempo que eu estava entediado das minhas musicas no computador. Porque aonde eu ouço mais musica agora quando estou no computador do que no radio que é muito melhor, e como eu tenho minhas duvidas quanto a usar mp4 ou qualquer coisa que funcione a partir de baterias de lítio ou qualquer outro do tipo, cujas conseqüências se esse uso e saudável ou não será comprovado pela geração de teste, ou seja: a geração de agora.
Eu já estava começando a ter que procurar demais uma musica que me agradasse, ao invés de simplesmente colocar o aleatório e deixar tocar qualquer uma. Foi então que pensei: Tenho que trocar meu estoque musical. Isso não quer dizer que eu vá joga as outras fora, mas dar um tempo nelas e ouvir um som novo. Só que como eu costumo ser muito esperto, e pra não sujar o meu histórico triunfal resolvi baixar mais musica do que dou conta de escutar agora. É que beleza heim? Pior de tudo que isso virou um vicio consumista. Baixei tanta coisa e ainda quero tanta coisa que isso nem tem mais sentido. Peguei tudo de todas as bandas, músicos, tudo que a meu ver alguém que se respeite deve conhecer, mas no fim não estou escutando nada. Estou escutando a mesma coisa que ouvia antes: Nirvana, Beatles, Trilha Sonora de Filmes, White Stripes.
Eu lembro que quando era criança e tinha uns quatro cinco anos, ao invés de escutar as porcarias que tudo mundo escutava, eu passava o dia e muita vezes à noite andando de Dodge com meu tio e ouvindo Led Zeppellin, The Smiths, Bolsoi, John Lennon, R. E. M. É muito orgulho não é? Um dos motivos maiores pelo qual eu amo meu tio Paulo foi o fato dele não ter deixado poluírem minha mente com essas porcarias que colocavam e chamavam de musica. Enquanto os retardados da minha idade ouviam Balão Mágico, e outras coisas que todo mundo conhece, que é tamanho meu nojo que eu nem vou citar aqui. Não, eu não era uma criança normal, não fui um adolescente normal também. Eu lembro que eu andava com todas as pessoas da escola sem grupo fixo maior parte das vezes, porque rotina me enjoa muito. E era sempre o escroto relativo a gosto musical porque a moda não era o bom e velho som, mas na década de noventa: nirvana, U2, The Verve, New Radicals, The Cranberries e outras mais faziam parte do cenário musical, mas ninguém curtia nada do que eu citava e muitas vezes eu era acusado de criativo por inventar tantos grupos. Somente quando eu estava na oitava série, quando comecei a andar com a galera do terceiro ano. Finalmente uma galera com quem eu me sentia feliz, porque ate então todo mundo da minha idade a me ver eram perfeitos idiotas. Totalmente substituíveis porque não faziam outra coisa a não ser andar conforme mandava a moda, sem nenhum senso critico, originalidade, senso de humor ou coisa que se preze. Só quando eu conheci essa galera mais velha e que eu vi que eu era desse mundo, só que apenas da parte que não era podre, mas uma vez muito obrigado tio Paulo. Hoje se deparo com algum deles, eles vem e me falam tudo o que eu já sei e todo mundo sabe sobre o que eu sempre ouvi. Mas o que mais me chateia de tudo isso é que o cenário central da musica é sempre decadente... Liga a MTV pra você ver... Apesar que aqui ela saiu do ar. O que não faz muita falta mesmo... Muito obrigado tio Paulo por te me livrado da moda ridícula da época é por hoje poder lembra da minha infância ouvindo o que realmente é bom.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Para meus amigos...
2005
Ei amigos. Hoje acordei com uma dor no peito e precisava escrever algo assim, sólido. Concretizar meus pensamentos. No fundo eu sempre tive medo, talvez meu único ou mais ressaltado entre todos eles: o medo do tempo e de suas conseqüências. Vocês já pararam e se olharam no espelho e viram o quanto envelheceram desde o primeiro olhar que nós trocamos? Viram o quanto o seu antigo eu não habita mais esse rosto e o quão diferente você parece? Pois é... Qual de nós nunca chegou a acreditar que a escola, 1º, 2º, 3º ano ou outro não durariam para sempre? Ou então, qual de vocês não chegou a acreditar que aquelas tardes em que passamos juntos não terminariam jamais? Eu pelo menos acreditei, acreditei e amei... Para mim, esse é o verdadeiro dom da amizade: Fazer-nos acreditar que a vida é eterna. Com nossos amigos, nosso tempo parece que fica congelado. Parece que nunca teremos família, filhos, netos e que nunca nos deitaremos um dia e não acordaremos mais. Mesmo quando há a família, em companhia de velhos amigos nos sentimos de volta para o passado, jovens outra vez. Acredito que sem amizade não vivemos. Sobrevivemos.
Hoje, com certeza, muita coisa mudou. A vida nos exige compromissos e a simplicidade de nossos dias passados se tornam cada vez mais distantes. E como é difícil acreditar que podia realmente chegar ao fim, não é mesmo? O tempo é exatamente assim, como a areia de uma ampulheta. Ele transcorre e se esvai sob o vão de nossos dedos e, quando nos damos conta, vemos que não estamos mais perto daquelas pessoas que tanto amamos, que não estamos mais naquele mesmo lugar que um dia chegou a nos parecer repetitivo e entediante... Porém, diferentemente da ampulheta, o tempo é ilimitado e não tem volta! Não há como virar a areia de lado e viver tudo de novo. Reviver a não ser que seja
Cada um que passou pelo meu caminho deixará um buraco no meu peito. Buraco talvez de saudade. Oco. Talvez por não ter aproveitado ao máximo cada instante que vivi com vocês. Hoje, olhando pra trás, percebo que todas as experiências foram válidas, que cada briga e cada momento foi belo e acolhedor. Que cada palavra trouxe uma nova esperança. Que valeu a pena ter vivido, porque eu tive o que poucos no mundo conseguem ter: amizades verdadeiras.
Cada pessoa fez parte de minha vida de uma maneira inexplicável e certamente distinta. Uns de modo mais intenso, outros com passividade. Mas cada rosto ficará guardado na minha memória a cada instante que uma lágrima de saudade escorrer leve e suave sob minha face, mostrando que é realmente a paixão que move os nossos corações. Porque nesse instante terei certeza que carregarei cada sorriso comigo. Cada voz, cada sonho que sonhamos juntos. Pois ninguém passa despercebido. Cada um mudou mais do que poderia imaginar a vida um do outro. Cada semblante, vazio ou risonho, me trouxe parte de sua vida, dividiu parte de seu caminho comigo, tornando-se mais do que meu amigo: Parte de uma só alma, parte de meu modo de pensar, de agir...
No entanto, em algum instante de nossas vidas, nos daremos conta de que não há mais vida, aquela vida que um dia construímos, porque ela é renovada a cada momento. E digo mais: Perdida a cada momento. Cada momento presente é transmudado em momento passado. E cada medida tomada é uma medida irremediável. Então percebemos que cada segundo foi belo e inexplicável, quase mágico. E o pior de tudo: irreversível, irretornável, intransmutável. Então lamentamos. Lamentamos por não termos nos doado ao máximo àquela pessoa e por não termos nos esforçado diante das adversidades que surgiram em nosso caminho. Acreditem, algumas coisas que nos parecem grandes hoje podem se tornar verdadeiramente pequenas e insignificantes diante da imensidão do universo. Eis outro mistério que o tempo propõe: Tudo muda diante dele, até mesmo nossa visão sobre a vida e sobre nós mesmos.
O que me consola é que sei que, enquanto estivermos sob o mesmo sol, meu coração estará junto a vocês. E sei também que carregarão minha lembrança para sempre, além da eternidade, assim como carregarei cada olhar, de cada um que percorreu meu caminho e construiu um pedaço de mim. Hoje, me vejo como uma colcha de retalhos, assim como a todos vocês. Todos fazemos parte dessa imensa teia que nada mais é que o universo inteiro.
Uns irão embora, outros ficarão, mas aqui, nesse instante, carrego a certeza de que a amizade é aquele amor que nunca morre. É a família que temos a chance de escolher. São as pessoas com as quais podemos ser nós mesmos, com naturalidade e sem medos. São os que nos recordam quão bela é a infância. A amizade enseja confidências redentoras, tornando-nos pessoas mais humanas; problema partilhado, ombro oferecido, percalço amaciado, felicidade repartida, ventura acrescida. A amizade coloca música e poesia na banalidade do dia-a-dia. É a doce canção da vida e a poesia da eternidade.
Obrigada a todos vocês por cada momento perdido, cada momento junto, cada olhar, cada palavra, cada tarde sem nada e com muito a fazer que partilhamos. Obrigada por terem me ajudado a escrever o livro de minha vida. Cada um de vocês ficará guardado um com o outro, não importa o tempo que passe... Não importa o que aconteça, sempre teremos nossas mãos dadas e unidas. Porque juntos fomos crianças, amamos e fomos amados, e isso é o que vai importar quando estivermos velhos ou quando a solidão bater a nossa porta! A certeza de que a vida valeu, sim, a pena e de que o amor da amizade verdadeira é o fruto mais belo que podemos colher ao longo de nosso caminho!
Amo todos vocês...
Palavras de: Ana Paula Lemes de Souza, minha grande amiga.